guerra no stf: em novo despacho, lewandowski libera entrevista de lula a florestan fernandes
Em sua decisão, o ministro Lewandowski avalia que a liminar de
Luiz Fux – flagrantemente ilegal – não atinge o pedido formulado por Florestan.
O ministro também questiona os poderes de Toffoli para cassar sua decisão no
tocante à Folha e aponta "motivações subalternas". Ao ser empossado
como presidente do Supremo Tribunal Federal, Toffoli indicou como assessor
especial o general Fernando Azevedo e Silva, que foi chefe do Estado Maior das
Forças Armadas. Ontem, numa declaração amplamente criticada, Toffoli afirmou
que não se refere à ditadura de 1964, mas ao 'movimento' de 1964.
Ao censurar a imprensa, Toffoli pretendia que os pedidos
formulados por órgãos de imprensa para entrevistar Lula só fossem avaliados
depois do segundo turno das eleições presidenciais. Aparentemente, o objetivo é
evitar que Lula diga o óbvio: que só foi preso para ser impedido de disputar as
eleições presidenciais de 2018 e que Fernando Haddad representa a continuidade
de seu projeto político. Silenciar Lula, portanto, é uma forma de alavancar a
candidatura de Jair Bolsonaro, que, no último sábado, foi alvo do maior
protesto antifascista da história do Brasil.
A censura a Lula também afronta decisão do Comitê de Direitos
Humanos da ONU, que determinou a manutenção dos direitos políticos de Lula e
também que ele pudesse conceder entrevistas. Preso político há quase seis
meses, Lula foi impedido de votar, de ser votado e agora de conceder
entrevistas por Toffoli e Fux. No entanto, a decisão de Lewandowski obriga a
Polícia Federal a garantir a entrevista de Lula a Florestan Fernandes Júnior.
Não se sabe quando Toffoli levará o caso ao plenário do Supremo Tribunal
Federal. Antecessora de Toffoli no cargo, Cármen Lúcia dizia que 'o cala boca
já morreu'. Toffoli provou o contrário.

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