Escola sem Partido já afeta rotina nas salas de aula,
mesmo sem lei
A
BBC Brasil publicou nesta segunda-feira, 5, uma longa reportagem que mostra que
o projeto Escola sem Partido, mesmo sem ter sido aprovado no Congresso
Nacional, já está em vigor na prática e interfere na rotina das salas de aula
do País.
A
proposta estabelece que cada sala de aula deverá ter um cartaz especificando os
deveres dos docentes, como "não cooptar os alunos para nenhuma corrente
política, ideológica ou partidária".
Para
o professor da faculdade de educação da Universidade Federal Fluminense e
coordenador do Movimento Educação Democrática, Fernando Penna, ouvido pela BBC
Brasil é visível que essas ideias já chegaram às escolas.
Ele
diz estar numa posição privilegiada para atestar o alcance das regras:
percorreu 23 Estados brasileiros dando palestras sobre o assunto. Em todos,
conta, encontrou professores que, como Rafael, foram pressionados para
cumpri-las ou denunciados por não fazê-lo: "é um processo muito
difuso".
Os
professores entrevistados concordam que este não é o ano mais tenso para a
educação. Segundo eles, o de 2016, quando aconteceu o impeachment da
ex-presidente Dilma Rousseff, ou o seguinte, 2017, foram mais evidentes da
polarização política entre os alunos. Hoje as queixas são menos frequentes.
Alguns dizem que se adaptaram. Há palavras que tiraram do vocabulário,
comportamentos que mudaram.
"Isso
foi muito em 2016, quando o PT estava na berlinda. A pressão contra os
professores está menos aparente hoje. Então tento fazer relações com a
realidade durante a aula, mas de uma forma muito, muito cuidadosa", diz o
professor Ricardo, do Rio de Janeiro.
