QUEM
DISSE QUE POBRE
NÃO SABE VOTA
Por: José Alves Nunes - Bacharel Licenciado em Filosofia - PUC/MINAS e Filosofia da Educação - ISTA/MINAS / nunespuc@yahoo.com.br
Por: José Alves Nunes - Bacharel Licenciado em Filosofia - PUC/MINAS e Filosofia da Educação - ISTA/MINAS / nunespuc@yahoo.com.br
Em meio aos tremores dessa
eleição presidencial, sobressai uma sólida certeza, o eleitor pobre já não vota
nos candidatos das elites e da rede Globo. Esse eleitorado finalmente aprendeu que
o Brasil que os ‘marinhos’ querem nunca chegará para os pobres. Aprendeu que se
o candidato é apoiado e aclamado pela emissora já são fortes indícios em quem
não votar.
Nas últimas quatro eleições,
os candidatos atacados nas manchetes e noticiários globais [Lula e Dilma] ao
final sagraram-se vitoriosos. Tá mais que evidente que os terrorismos
econômicos de Míriam Leitão já não assustam ninguém. Os editoriais políticos de
Merval Pereira tentando ditar o compasso eleitoral já não alcançam a mesma
sonoridade de outrora. As matérias sensacionalistas na reta final da eleição,
na voz empostada de Willian Bonner, já não interferem na escolha e no voto popular.
Esse grande contingente já
não vota mais nos candidatos das elites. O governo de Michel Temer é aprovado por
apenas 4% e reprovado por mais de 90%. Ou seja, apenas os ricos e a Globo
aprovam esse governo, enquanto os muito pobres o transformaram no politico mais
execrável do Brasil e do mundo. Tamanha impopularidade o fez desistir de
concorrer ao Planalto e os seus legítimos candidatos, Meirelles e/ou Alckmin, são
tão ou mais impopulares quanto.
Antes de ser impedido pelo TSE
e pela ‘Globo’ de concorrer à eleição, o ex-presidente Lula [candidato dos muito
pobres] alcançava mais de 50% na intenção de voto e, segundo pesquisas CUT/Vox Populi,
ganharia no primeiro turno. O eleitor pobre, mesmo sob insultos e preconceitos,
não vota mais nos candidatos das elites. Daí, pois, que os candidatos milionários
Amoedo, Meireles e Álvaro Dias não saem dos 3% e 2% nas pesquisas.
Quando os nordestinos e
moradores das regiões periféricas dos demais estados [Vale do Ribeira - SP e
Jequitinhonha - MG, entre outras] elegeram o candidato dos ricos [FHC] por duas
vezes [1994 e 2002] não tinha nada de errado. A pecha de que pobre não sabe
votar culminou na eleição de 2014, a mais acirrada dos últimos tempos, entre
Dilma e Aécio. O Nordeste garantiu a Dilma 59,58% dos votos e ao tucano,
15,40%. Já no Norte ela teve 50,52% e ele, 28,26% o que gerou uma onda de
comentários preconceituosos nas redes sociais contra os moradores dessas
regiões.
Já são quatro eleições que
os candidatos apoiados pela elite global amargam sucessivas derrotas. Depois dos
fracassos, os ricos entenderam que sem os eleitores muito pobres nunca mais
ganharão uma eleição, exceto se mudarem as regras. E, elas [regras] começaram a
ser contestadas e mudadas quando o ‘mineirinho das Neves’ não reconheceu a vitória
de Dilma Rousseff. Não só exigiu a recontagem dos votos, mas mesmo depois de
atestada pelo TSE, juntou com outros e destituíram do poder a presidenta eleita
democraticamente.
Tudo indica, pelo mover da
carruagem e pesquisas, que o candidato das elites sofrerá uma quinta derrota. E, a implantação
de novas regras, infelizmente, se dará de maneira mais drástica e autoritária para
tirarem dos eleitores do norte e nordeste do país, e das regiões periféricas dos
demais estados, o poder do voto. A casta política já defende abertamente a
troca do presidencialismo para o parlamentarismo ou semiparlamentarismo. Existe
até militar que já defende abertamente a elaboração de uma nova Constituição
sem a participação do povo e elaborada por um ‘conselho de notáveis’.
Também o TSE já começou a implantar
novas regras ao realizar o cadastramento biométrico e cancelar
3,3 milhões de títulos eleitorais, quase metade deles no Nordeste. E, também diminuiu
o tempo de campanha para que as informações não chegassem em tempo aos grotões do
país, onde os candidatos dos notáveis já não tem quase voto e só pisam o pé de
quatro em quatro anos.
Todas as manobras praticadas até aqui, para impedir
ou tentar manipular a vontade popular, servirão para valorizar a quinta vitória
consecutiva do candidato dos pobres sobre os da elite. E, por fim, responder em
definitivo aos preconceituosos que o eleitor pobre sabe votar e sua vontade
será mais uma vez soberana nas urnas.


































