19 de agosto de 2018

A ESCOLHA DO VICE-PRESIDENTE VIROU PROBLEMA NACIONAL


                                                                                                                                                          Por: José A. Nunes             
Bacharel Licenciado em Filosofia - PUC/MINAS
                                                                                                                                                                                Filosofia da Educação - ISTA/MINAS


A eleição presidencial deste ano já revela algumas particularidades incomuns depois da redemocratização do país. De imediato três chamam a atenção, por conta das prováveis consequências que já gritam aos nossos ouvidos. A primeira nasce do fato de o candidato melhor colocado nas pesquisas de opinião se encontrar preso, executando estratégias que têm revelado a parcialidade do judiciário e seu ativismo de judicialização da política.

Em seguida, temos a consistente campanha de um militar sem papas na língua e que pode, sem dinheiro e grandes coligações, devolver o poder do país aos militares, democraticamente. Penso, que a vitória de qualquer um deles levará o país para um momento que, a priori, nenhum vidente ou profeta é capaz de antever, nem em seus melhores dias de inspiração/transpiração. Mas, isso é assunto para outro momento.

O que nos interessa agora é a terceira particularidade, ou seja, de que a escolha do vice na corrida presidencial tornou-se problema nacional. Essa questão  ficou mais latente quando as convenções presidenciais aconteceram e os nomes dos auxiliares ainda eram desconhecidos. Os cortejados (as) eram deixados pelo caminho ou se declinavam do honroso convite. Os líderes e partidos demonstravam, ainda que não às claras, que a escolha seguiria novo rito e já não podia ser nem da banda podre dos partidos nem entre aqueles chegados à conspiração.

Na verdade, justiça seja feita, o imaginário popular sempre maculou de desconfiança a figura do vice, mas a maneira como Michel Temer chegou ao poder fortaleceu em muito esse estigma. Além de se juntar ao que de pior existe na política, dias antes publicara aquela ridícula carta, pior até que os lendários bilhetinhos de Jânio Quadros, onde se dizia injustiçado e cansado de ser mero vice decorativo. Esqueceu-se de voltar à Constituição Federal no art. 79 que diz: “o vice-presidente da República auxiliará o presidente(a) sempre que por ele/ela convocado para missões especiais. Ou ainda tomar para si parte da definição de John Adam: “o mais insignificante lugar que a criatividade do homem podia inventar”, mas dizia também: “Não sou nada, posso ser tudo”.

Na história do Brasil nunca faltaram conspiradores e os que não são nada, mas dizem insistentemente para si: “posso ser tudo”. Lembro-me aqui daquele presidente do senado que gritou: “Assim sendo, declaro vaga a Presidência da República.” Com essas palavras, Auro Moura Andrade, anunciou a um tumultuado Congresso Nacional, na madrugada de abril de 1964, que João Goulart não era mais o presidente do Brasil. Ao decretar a vacância da presidência com Jango em Porto Alegre e na gritaria que se seguiu à fala de Auro, o deputado Almino Afonso ouviu Tancredo Neves, líder do governo na Câmara, gritar: “Canalha! Canalha!”.

John Adams não chegou a conhecer a nossa Carta Magna, mas diferentemente de Michel Temer sempre entendeu que vice não passa de um auxiliar, seja de luxo seja decorativo, e só deve sair da “caixinha” quando convocado pelo presidente (a) e para missões especiais.

O vice decorativo ao se esquecer ou não praticar tais princípios tornou-se o presidente mais impopular da história do país e a gozar de ostracismo politico, ainda no exercício do poder, pelos seus iguais. Pior, levou os presidenciáveis a adotarem novos critérios na escolha dos vices, ou seja, em seus respectivos partidos. Para não permitir que o quarto vice, depois da redemocratização e do P/MDB, assuma o destino da nação ao apossar com outros conspiradores daquela última parte da frase: “não sou nada, posso ser tudo”. 

Um comentário:

  1. Nós ,como cidadão e eleitor, precisamos mudar o cenário político do Brasil através do voto. A nossa maior arma é o voto . Votar em quem e honesto e que se preocupa com o trabalhador

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Professor Camponês Por: José Alves Nunes -  Bacharel Licenciado em Filosofia - PUC/MINAS e  Filosofia da Educação - ISTA/MINAS         ...