26 de agosto de 2018

BOLSONARO ACREDITOU QUE PODIA FUGIR DOS DEBATES
                                                                                                                                                                            Por: José Alves Nunes             
Bacharel Licenciado em Filosofia - PUC/MINAS
                                                                                                                                                                                Filosofia da Educação - ISTA/MINAS


“T

udo que é sólido se desmancha no ar”. Essa frase que já falamos ou ouvimos em algum momento da vida é a melhor para definir o candidato Jair Bolsonaro, mas não na íntegra. Ela só caberia ao segundo colocado na corrida presidencial, depois da declaração de que não mais participaria dos debates, com a seguinte correção: tudo que é ‘sólido’ se desmancha ao falar.

Bolsonaro acreditou, por algumas horas, que poderia chegar ao segundo turno da eleição fugindo dos debates. Esqueceu-se que desde cedo as apostas eram grandes de que seus dois dígitos nas pesquisas não se sustentaria por muito tempo e seu extrato político sumiria com o início dos debates.

Os prognósticos não se concretizaram e ele continua, até aqui, firme nas pesquisas o que só aumenta o desespero no ninho tucano, que assiste a revoada de seus eleitores para outros ninhos. Contudo, os apostadores não estavam totalmente errados, pois o sinal vermelho foi ligado após dois debates, apenas. Diante do alerta, o candidato do PSL e a cúpula do partido adotaram como estratégia fugir do debate para continuar bem nas pesquisas.

A aberrada declaração, corrigida em menos de 24h, ainda não interfere nos dígitos das pesquisas, mas revelou aos seus oponentes onde fica o calcanhar de Aquiles do candidato. Seu ponto fraco começou a surgir no primeiro debate, que mais parecia conversa entre compadres. Nele, Bolsonaro não foi instado a responder perguntas sobre a economia do país e, portanto, não precisou recorrer ao seu ministro Paulo Posto Ipiranga Guedes.

Contudo, já naquele, ficou claro a sua falta de traquejo político quando indagado, por Guilherme Boulos, sobre a sua funcionária fantasma, a ‘Wal do açaí’. Ao desmentir de maneira intempestiva a denúncia do seu oponente, um dia depois seria ele o desmentido. O jornal folha de S. Paulo investigou e comprovou mais uma vez que a mulher trabalhava, em horário de expediente na Câmara, em seu negócio particular. Ao tentar corrigir o estrago para tentar evitar a baixa nos dois dígitos , demitiu a funcionária sem aviso prévio.

A vulnerabilidade do candidato ficou mais evidente no segundo debate, realizado pela RedeTV, quando a candidata Marina Silva deferiu-lhe um golpe mais certeiro. O rasgo aconteceu quando a acriana o encarou e lhe perguntou sobre os salários menores pagos às mulheres. Diante da ação destemida de uma mulher, surgiu a figura de um Bolsonaro que mais parecia soldado perdido em batalha, sem munição e sem seu posto Ipiranga.

Depois de dois debates apenas, outros seis ainda virão, Bolsonaro descobriu que seus oponentes já sabem do seu calcanhar de Aquiles. Sabe também que nos próximos debates os seus oponentes, principalmente Alckmin, virão com as melhores munições para mirar e acertar seu ponto fraco. Diante das constatações, Bolsonaro tentou fugir do campo de guerra, digo, do debate, para assegurar o seu passaporte para a segunda fase.

Na democracia os poderes são autônomos e harmoniosos entre si, mas ela não está livre de extremos. Quando um candidato que é segundo colocado nas pesquisas anuncia fugir dos debates, com aval do partido, é sinal que a democracia já beira o precipício e só o povo é capaz de salvá-la. Para tanto, além de votar consciente é fundamental ouvir atentamente as propostas dos candidatos, principalmente, daquele que cogitou fugir dos debates.

Professor Camponês Por: José Alves Nunes -  Bacharel Licenciado em Filosofia - PUC/MINAS e  Filosofia da Educação - ISTA/MINAS         ...