Por:
José Alves
Nunes
Bacharel Licenciado em Filosofia -
PUC/MINAS
Filosofia da
Educação - ISTA/MINAS
“T
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udo que é sólido se
desmancha no ar”. Essa frase que já falamos ou ouvimos em algum momento da vida
é a melhor para definir o candidato Jair Bolsonaro, mas não na íntegra. Ela só
caberia ao segundo colocado na corrida presidencial, depois da declaração de
que não mais participaria dos debates, com a seguinte correção: tudo que é ‘sólido’
se desmancha ao falar.
Bolsonaro acreditou, por
algumas horas, que poderia chegar ao segundo turno da eleição fugindo dos
debates. Esqueceu-se que desde cedo as apostas eram grandes de que seus dois dígitos
nas pesquisas não se sustentaria por muito tempo e seu extrato político sumiria com o início dos debates.
Os prognósticos não se
concretizaram e ele continua, até aqui, firme nas pesquisas o que só aumenta o
desespero no ninho tucano, que assiste a revoada de seus eleitores para outros
ninhos. Contudo, os apostadores não estavam totalmente errados, pois o sinal
vermelho foi ligado após dois debates, apenas. Diante do alerta, o candidato do
PSL e a cúpula do partido adotaram como estratégia fugir do debate para
continuar bem nas pesquisas.
A aberrada declaração,
corrigida em menos de 24h, ainda não interfere nos dígitos das pesquisas, mas revelou
aos seus oponentes onde fica o calcanhar de Aquiles do candidato. Seu ponto
fraco começou a surgir no primeiro debate, que mais parecia conversa entre compadres.
Nele, Bolsonaro não foi instado a responder perguntas sobre a economia do país
e, portanto, não precisou recorrer ao seu ministro Paulo Posto Ipiranga Guedes.
Contudo, já naquele, ficou
claro a sua falta de traquejo político quando indagado, por Guilherme Boulos,
sobre a sua funcionária fantasma, a ‘Wal do açaí’. Ao desmentir de maneira intempestiva
a denúncia do seu oponente, um dia depois seria ele o desmentido. O jornal
folha de S. Paulo investigou e comprovou mais uma vez que a mulher trabalhava, em
horário de expediente na Câmara, em seu negócio particular. Ao tentar corrigir o
estrago para tentar evitar a baixa nos dois dígitos , demitiu a funcionária sem
aviso prévio.
A vulnerabilidade do candidato
ficou mais evidente no segundo debate, realizado pela RedeTV, quando a
candidata Marina Silva deferiu-lhe um golpe mais certeiro. O rasgo aconteceu
quando a acriana o encarou e lhe perguntou sobre os salários menores pagos às mulheres.
Diante da ação destemida de uma mulher, surgiu a figura de um Bolsonaro que
mais parecia soldado perdido em batalha, sem munição e sem seu posto Ipiranga.
Depois de dois debates
apenas, outros seis ainda virão, Bolsonaro descobriu que seus oponentes já sabem do
seu calcanhar de Aquiles. Sabe também que nos próximos debates os seus
oponentes, principalmente Alckmin, virão com as melhores munições para mirar e acertar
seu ponto fraco. Diante das constatações, Bolsonaro tentou fugir do campo de
guerra, digo, do debate, para assegurar o seu passaporte para a segunda fase.
Na democracia os
poderes são autônomos e harmoniosos entre si, mas ela não está livre de
extremos. Quando um candidato que é segundo colocado nas pesquisas anuncia fugir
dos debates, com aval do partido, é sinal que a democracia já beira o precipício
e só o povo é capaz de salvá-la. Para tanto, além de votar consciente é
fundamental ouvir atentamente as propostas dos candidatos, principalmente,
daquele que cogitou fugir dos debates.
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