Por: José Alves
Nunes
Bacharel Licenciado em Filosofia -
PUC/MINAS
Filosofia da
Educação - ISTA/MINAS
As declarações de dois
generais, um pedido de desculpa de um senador e as táticas politicas do
ex-presidente Lula demonstram que a temperatura política não para de subir no
país. Esses três fatos ocorridos na semana vão mostrando mais e mais a
atipicidade dessa eleição e seu grau de preocupação.
1. As declarações dos
generais [Villas Bôas e Mourão]
colocam em risco eminente as eleições e a democracia do país. Tenho que reconhecer, assim como o Mauro
Lopes, que as nuvens estão ficando pesadas e, o pior disso tudo, o silêncio
apavorante do STF, MPF, OAB, CNBB, ABI que nada disseram para jogarem luzes
nesta tempestade que anuncia relâmpagos e trovões para o pós-eleição.
2. A entrevista do senador Tasso
Jereissati, tucano de alta plumagem, foi uma meia culpa de tudo que o partido
causou aos mais pobres e aos trabalhadores do país. Jereissati antecipou aquilo
que as urnas confirmarão, que o PSDB e seus aliados, P/MDB e DEM, são os
legítimos responsáveis pelo caos instalado. Segundo ele, tudo começou pelo
capricho de Aécio Neves de chegar ao poder a qualquer custo e não respeitar o
resultado das urnas. Agora o cacique mor [Alckmin] corre o país sozinho porque
os demais tucanos já estão queimados/torrados e vivem entocados, com medo de
mostrarem as caras.
3. A estratégia política adotada
por Lula finalmente ficou clara como o dia e aqueles que o criticavam, agora o elogiam
diante do rápido crescimento de Haddad nas pesquisas. Ricardo Kotscho foi um
dos que, por meio de um belíssimo texto, reconheceu que estava errado quando
pedia celeridade na substituição de Lula por Haddad na disputa eleitoral. Pena que os mais
afoitos e imediatistas do partido não seguiram o mesmo exemplo de pedir
desculpas ao grande estrategista politico do PT, chamado Lula.
Mesmo preso, Lula soube
mover cada pedra do jogo político no momento exato, nem antes e nem depois. O
que levou a grande mídia, o judiciário e os companheiros mais afoitos do
partido, muitas vezes, ao desespero. Diante de toda complexidade, Lula ainda tinha
que considerar no decorrer do jogo as dimensões jurídica e politica
simultaneamente.
Da prisão, Lula foi capaz de
orientar os advogados a esgotarem todos os recursos no judiciário para expor as vísceras dos togados e proteger Haddad das críticas e das prováveis denúncias
infundadas do Ministério Público. Foi de lá que ele soube a hora certa de
cooptar Manuela D’Ávila e ‘isolar Ciro Gomes’, antes de ser isolado.
Por fim, foi de uma cela de 15
metros quadrados que Lula soube a hora de colocar Haddad na disputa eleitoral. Mas
antes, exigiu dele um curso intensivo no nordeste do país para sentir na pele o
sofrimento e a luta desse povo, que acima de tudo é um forte. Foi enviado ao
nordeste também para calar os afoitos do partido que o criticavam não preocupados
com o país ou com a condenação injusta dele, mas para terem palanque e garantirem
suas [re]eleições.
A estratégia política
de Lula não é simplesmente para eleger Fernando Haddad ou derrotar a grande
mídia, o judiciário e os golpistas como pensam alguns. Ela é, antes de tudo, para
registrar nos anais da história que de uma prisão, o líder político, Luís Inácio
Lula da Silva jogou por terra um sistema inteiro e devolveu ao povo o direito
de sonhar novamente.
