3 de agosto de 2018

Lula mais uma vez continua certo: Não pode e nem deve indicar seu substituto

                                                                                                                    Por: José A. Nunes             
Bacharel Licenciado em Filosofia - PUC/MINAS
Filosofia da Educação - ISTA/MINAS

O
jogo político é, sem dúvida, um dos mais complexos para ser jogado. Além de envolver uma variedade de jogadores altamente qualificados, exige precisão e estratégias constantes que só quem participa do jogo é capaz. Quem está de fora até pode palpitar, mas nunca saberá com exatidão o que passa na mente de quem disputa ou articula um jogo político. Dentre os mentores políticos atuais destaca-se Lula que tem adotado a estratégia, apesar da pressão, de não indicar o seu substituto e continuar na disputa.

A estratégia do ex-presidente Lula, diferentemente do que escreveu recentemente Reinaldo Azevedo, não é esticar a corda até o dia 17 de setembro, limite para o TSE decidir a elegibilidade da sua candidatura. O que o colunista da folha de S. Paulo se esqueceu de dizer é que a corda já estourou e, como sempre, do lado do mais fraco que se encontra preso, sem provas, em Curitiba. “Nesse ponto é próprio Azevedo que diz: A sentença de Sergio Moro é mero truque retórico. Do ponto de vista do direito, trata-se de uma aberração. Numa democracia, interessa saber se há provas ou não. No caso do apartamento de Guarujá, não há”.
Azevedo a parte, Lula sabe que a atual conjuntura politica, com toda a sua complexidade, continua favorável ao PT e gera desespero nos principais atores do “golpe ou impeachment”, como queiram.  A última pesquisa CUT/Vox Populi ratifica a sua estratégia acertada. Nela, o petista aparece com 41% e o resto com 29%, sendo que Geraldo Alckmin, que em parte representa tudo o que aconteceu ao PT e ao país, despencou para apenas 4%.
Diante deste quadro amplamente favorável, Lula demonstra, e tem convencido os companheiros mais afoitos, que não convém fazer nenhuma indicação agora e nem se submeter às pressões dos desesperados da direita e da extrema direita. O momento é de continuar o jogo e a mesma estratégia. Afinal, enquanto Temer, Alckmin, Aécio vivem tempo de desespero e baixa popularidade nas pesquisas, a sua prisão em nada o afetou. Pelo contrario, tem ajudado a alavancar a sua candidatura e popularidade.
Os dados das pesquisas mostram claramente que nenhum líder e partido politico estão mais confortáveis do que Lula e o PT na atual conjuntura. Enquanto os demais candidatos fazem campanha, aparecem na TV, rádio, sabatinas e não decolam, Lula cresce a cada pesquisa. Enquanto os demais brigam entre si e falam o que não devem, Lula preso passa a imagem de injustiçado (preso político) e só precisa administrar alguns companheiros afoitos do partido.
Lula sabe, mais que qualquer outro jogador, que não cabe a ele indicar alguém do partido ou fora para substitui-lo, seria reconhecer a própria culpa. Quem deve executar a próxima jogada é o Judiciário – de Curitiba, do Rio Grande do Sul ou de Brasília - que puxou e arrebentou a corda ao prendê-lo. É ele que deve dizer sobre a sua elegibilidade e quando isso acontecer o problema para o judiciário, Sérgio Moro em particular, só tende a aumentar.
Caso a justiça eleitoral, em 17 de setembros, autorize o registro da sua candidatura (possibilidade remota), Lula concorrerá e, certamente, ganhará as eleições preso. Quanto a isso o ministro Luiz Fux já admitiu recentemente que o caso do petista ainda está ‘sub judice’ em virtude do cumprimento antecipado da pena (sem trânsito em julgado). Diante da clareza do ministro e confiante no Supremo Poder do Povo (SPP), uma vez eleito democraticamente Lula deixará a prisão nos braços do povo, para decepção de quem o prendeu.
Outro cenário que pode surgir parte também da decisão do TSE de não registrar a candidatura de Lula. Caso essa possibilidade ocorra a certa altura do jogo político, o petista terá que apoiar alguém da sua confiança e transferir os seus votos para o escolhido, coisa que ele já fez quando elegeu Dilma presidenta, duas vezes, e Haddad prefeito de São Paulo. A prisão de Lula, diferentemente do que desejava os seus algozes, só contribuiu para aumentar a sua popularidade nas diferentes regiões do país e, quiçá, do mundo.
Portanto, qualquer um dos cenários futuros será favorável a Lula e ao PT. Se não acontecer nenhuma ‘virada de mesa’- pela grande mídia, pelo “judiciário”, pela PGR e/ou militares - tudo indica que os atores do “impeachment ou golpe”, como queiram, enfrentarão derrotas com Lula preso ou solto e, de quebra, assistirão o retorno de Dilma à Casa Grande como Senadora da República por Minas Gerais.

Um comentário:

  1. gostei do texto, mas não acredito nem em lula e nem em dilma. Quem vai ganhar é Bolsonaro, valeu.

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Professor Camponês Por: José Alves Nunes -  Bacharel Licenciado em Filosofia - PUC/MINAS e  Filosofia da Educação - ISTA/MINAS         ...