5 de novembro de 2018


Escola sem Partido já afeta rotina nas salas de aula, mesmo sem lei

A BBC Brasil publicou nesta segunda-feira, 5, uma longa reportagem que mostra que o projeto Escola sem Partido, mesmo sem ter sido aprovado no Congresso Nacional, já está em vigor na prática e interfere na rotina das salas de aula do País. 
A proposta estabelece que cada sala de aula deverá ter um cartaz especificando os deveres dos docentes, como "não cooptar os alunos para nenhuma corrente política, ideológica ou partidária".
Para o professor da faculdade de educação da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Movimento Educação Democrática, Fernando Penna, ouvido pela BBC Brasil é visível que essas ideias já chegaram às escolas.
Ele diz estar numa posição privilegiada para atestar o alcance das regras: percorreu 23 Estados brasileiros dando palestras sobre o assunto. Em todos, conta, encontrou professores que, como Rafael, foram pressionados para cumpri-las ou denunciados por não fazê-lo: "é um processo muito difuso".
Os professores entrevistados concordam que este não é o ano mais tenso para a educação. Segundo eles, o de 2016, quando aconteceu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ou o seguinte, 2017, foram mais evidentes da polarização política entre os alunos. Hoje as queixas são menos frequentes. Alguns dizem que se adaptaram. Há palavras que tiraram do vocabulário, comportamentos que mudaram.
"Isso foi muito em 2016, quando o PT estava na berlinda. A pressão contra os professores está menos aparente hoje. Então tento fazer relações com a realidade durante a aula, mas de uma forma muito, muito cuidadosa", diz o professor Ricardo, do Rio de Janeiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário