2 de setembro de 2018

O PODER DO POVO X DESSERVIÇO DA GLOBO 
                                                                                                                                                                                 
                                                                                                                                                                                                     Por: José Alves Nunes             
Bacharel Licenciado em Filosofia - PUC/MINAS
                                                                                                                                                                                Filosofia da Educação - ISTA/MINAS


A
 eleição presidencial começou a mexer com o país, até mesmo com o eleitor indeciso, e é bom que assim seja. É de suma importância se manifestar e fazer valer os direitos e, claro, deveres numa disputa eleitoral, sem esquecer-se de respeitar sempre o contraditório e as diferentes escolhas de outrem. Já as instituições não devem deixar de lado a imparcialidade e comportar como o cidadão comum. Se assim fizerem é impossível de mensurar as consequências danosas tanto para política tanto para a democracia.

No decorrer da semana presenciamos a parcialidade extremada de uma dessas instituições, a Rede Globo. Há quem diga que a mídia (meios de comunicação de massa) exerce tanto poder e influência em relação à sociedade quanto os três poderes nomeados em nosso Estado Democrático. Quem conhece um pouco da história desta instituição de comunicação não duvida do seu poder e do que ela é capaz de fazer para construir ou descontruir a imagem de determinada liderança.

Essa emissora, líder majoritária em audiência no país desde sempre, realizou as entrevistas com os principais candidatos a presidência, que mais pareciam interrogatórios. As entrevistas encabeçadas pelos ancoras, Willian Bonner e Renata Vasconcelos, agressivos e prolixos quase o tempo todo, esqueceram que o povo queria ouvir as propostas dos presidenciáveis e não os seus estrelismos.

As perguntas mal formuladas e carentes de objetividades tomaram grande parte dos 27 minutos que deveriam ser direcionados aos candidatos. As agressividades de ambos apareciam a todo instante e ao invés de extrairem o melhor dos presidenciáveis pareciam querer humilhá-los e agredi-los.

Os mais agredidos, diga-se de passagem, foram Ciro e Bolsonaro que tiveram reações distintas. O primeiro rotulado de pavio curto, preferiu fazer o papel do bom moço e, portanto, deixou de marcar ponto junto ao eleitorado. Bolsonaro preferiu partir para o contra-ataque e não repetir aquela mesma situação com Marina Silva. Atacou sem piedade a Globo, Bonner e a Renata Vasconcelos, essa principalmente, o que o levou a alta pontuação nas redes sociais.

No dia da entrevista do Alckmin, quarta-feira [30], as estrelas globais, pareciam outros apresentadores e outra emissora. Demonstravam-se mais polidos e corteses no tratamento, mesmo quando avançavam o sinal numa pergunta e outra pareciam ter ciência ou alguém lhes soprava no ‘ponto’ e imediatamente recuavam no tom. A Renata Vasconcelos em nada parecia aquela do dia anterior que quase avançava em Bolsonaro, quando o candidato insinuou que ela ganhava salário inferior ao de Bonner.

A Rede Globo, ao longo da história, sempre defendeu seus interesses em detrimento aos do povo. Foi assim no golpe de 64, na eleição de 89 entre Lula e Collor e no apoio ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Agora ela começa a tomar o mesmo caminho na tentativa de manipular a população e garantir o seu candidato, que não decola nas pesquisas, no segundo turno.

Cabe ao cidadão eleitor, diante desse partidarismo vergonhoso, colocar a Globo e seus robôs em seus devidos lugares, de preferência a margem da história. Afinal, na democracia é fundamental a existência dos três poderes e, até, de um quarto poder imparcial. Contudo, nenhum deles é mais importante do que aquele que emana do povo, que deve ser respeitado antes, durante e depois das eleições, sempre.

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