Por: José Alves
Nunes
Bacharel Licenciado em Filosofia -
PUC/MINAS
Filosofia
da Educação - ISTA/MINAS
A
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eleição presidencial começou
a mexer com o país, até mesmo com o eleitor indeciso, e é bom que assim seja. É
de suma importância se manifestar e fazer valer os direitos e, claro, deveres
numa disputa eleitoral, sem esquecer-se de respeitar sempre o contraditório e as
diferentes escolhas de outrem. Já as instituições não devem deixar de lado a imparcialidade
e comportar como o cidadão comum. Se assim fizerem é impossível de mensurar as
consequências danosas tanto para política tanto para a democracia.
No decorrer da semana presenciamos
a parcialidade extremada de uma dessas instituições, a Rede Globo. Há quem diga
que a mídia (meios de comunicação de massa) exerce tanto poder e influência em relação à
sociedade quanto os três poderes nomeados em nosso Estado Democrático. Quem
conhece um pouco da história desta instituição de comunicação não duvida do seu
poder e do que ela é capaz de fazer para construir ou descontruir a imagem de determinada
liderança.
Essa emissora, líder majoritária
em audiência no país desde sempre, realizou as entrevistas com os principais
candidatos a presidência, que mais pareciam interrogatórios. As entrevistas
encabeçadas pelos ancoras, Willian Bonner e Renata Vasconcelos, agressivos e
prolixos quase o tempo todo, esqueceram que o povo queria ouvir as propostas
dos presidenciáveis e não os seus estrelismos.
As perguntas mal formuladas
e carentes de objetividades tomaram grande parte dos 27 minutos que deveriam ser
direcionados aos candidatos. As agressividades de ambos apareciam a todo
instante e ao invés de extrairem o melhor dos presidenciáveis pareciam querer humilhá-los
e agredi-los.
Os mais agredidos, diga-se
de passagem, foram Ciro e Bolsonaro que tiveram reações distintas. O primeiro
rotulado de pavio curto, preferiu fazer o papel do bom moço e, portanto, deixou
de marcar ponto junto ao eleitorado. Bolsonaro preferiu partir para o contra-ataque
e não repetir aquela mesma situação com Marina Silva. Atacou sem piedade a Globo,
Bonner e a Renata Vasconcelos, essa principalmente, o que o levou a alta
pontuação nas redes sociais.
No dia da entrevista do
Alckmin, quarta-feira [30], as estrelas globais, pareciam outros apresentadores
e outra emissora. Demonstravam-se mais polidos e corteses no tratamento, mesmo
quando avançavam o sinal numa pergunta e outra pareciam ter ciência ou alguém lhes
soprava no ‘ponto’ e imediatamente recuavam no tom. A Renata Vasconcelos em
nada parecia aquela do dia anterior que quase avançava em Bolsonaro, quando o
candidato insinuou que ela ganhava salário inferior ao de Bonner.
A Rede Globo, ao longo da
história, sempre defendeu seus interesses em detrimento aos do povo. Foi assim
no golpe de 64, na eleição de 89 entre Lula e Collor e no apoio ao impeachment
da presidente Dilma Rousseff. Agora ela começa a tomar o mesmo caminho na
tentativa de manipular a população e garantir o seu candidato, que não decola
nas pesquisas, no segundo turno.
Cabe ao cidadão eleitor, diante desse partidarismo vergonhoso, colocar a Globo e seus robôs em seus devidos lugares, de preferência a
margem da história. Afinal, na democracia é fundamental a existência dos três poderes
e, até, de um quarto poder imparcial. Contudo, nenhum deles é mais importante do que aquele que emana do povo, que deve ser respeitado antes, durante e depois das eleições, sempre.

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