16 de setembro de 2018

AS TÁTICAS DE LULA VÃO ELEGER HADDAD E DEVOLVER AO POVO O DIREITO DE SONHAR NOVAMENTE
                                                                                                                                                                                           Por: José Alves Nunes             
Bacharel Licenciado em Filosofia - PUC/MINAS
                                                                                                                                                                                           Filosofia da Educação - ISTA/MINAS


As declarações de dois generais, um pedido de desculpa de um senador e as táticas politicas do ex-presidente  Lula demonstram que a temperatura política não para de subir no país. Esses três fatos ocorridos na semana vão mostrando mais e mais a atipicidade dessa eleição e seu grau de preocupação.

1. As declarações dos generais [Villas Bôas e Mourão] colocam em risco eminente as eleições e a democracia do país. Tenho que reconhecer, assim como o Mauro Lopes, que as nuvens estão ficando pesadas e, o pior disso tudo, o silêncio apavorante do STF, MPF, OAB, CNBB, ABI que nada disseram para jogarem luzes nesta tempestade que anuncia relâmpagos e trovões para o pós-eleição.

2. A entrevista do senador Tasso Jereissati, tucano de alta plumagem, foi uma meia culpa de tudo que o partido causou aos mais pobres e aos trabalhadores do país. Jereissati antecipou aquilo que as urnas confirmarão, que o PSDB e seus aliados, P/MDB e DEM, são os legítimos responsáveis pelo caos instalado. Segundo ele, tudo começou pelo capricho de Aécio Neves de chegar ao poder a qualquer custo e não respeitar o resultado das urnas. Agora o cacique mor [Alckmin] corre o país sozinho porque os demais tucanos já estão queimados/torrados e vivem entocados, com medo de mostrarem as caras.

3. A estratégia política adotada por Lula finalmente ficou clara como o dia e aqueles que o criticavam, agora o elogiam diante do rápido crescimento de Haddad nas pesquisas. Ricardo Kotscho foi um dos que, por meio de um belíssimo texto, reconheceu que estava errado quando pedia celeridade na substituição de Lula por Haddad na disputa eleitoral. Pena que os mais afoitos e imediatistas do partido não seguiram o mesmo exemplo de pedir desculpas ao grande estrategista politico do PT, chamado Lula.

Mesmo preso, Lula soube mover cada pedra do jogo político no momento exato, nem antes e nem depois. O que levou a grande mídia, o judiciário e os companheiros mais afoitos do partido, muitas vezes, ao desespero. Diante de toda complexidade, Lula ainda tinha que considerar no decorrer do jogo as dimensões jurídica e politica simultaneamente.

Da prisão, Lula foi capaz de orientar os advogados a esgotarem todos os recursos no judiciário para expor as vísceras dos togados e proteger Haddad das críticas e das prováveis denúncias infundadas do Ministério Público. Foi de lá que ele soube a hora certa de cooptar Manuela D’Ávila e ‘isolar Ciro Gomes’, antes de ser isolado.

Por fim, foi de uma cela de 15 metros quadrados que Lula soube a hora de colocar Haddad na disputa eleitoral. Mas antes, exigiu dele um curso intensivo no nordeste do país para sentir na pele o sofrimento e a luta desse povo, que acima de tudo é um forte. Foi enviado ao nordeste também para calar os afoitos do partido que o criticavam não preocupados com o país ou com a condenação injusta dele, mas para terem palanque e garantirem suas [re]eleições.

A estratégia política de Lula não é simplesmente para eleger Fernando Haddad ou derrotar a grande mídia, o judiciário e os golpistas como pensam alguns. Ela é, antes de tudo, para registrar nos anais da história que de uma prisão, o líder político, Luís Inácio Lula da Silva jogou por terra um sistema inteiro e devolveu ao povo o direito de sonhar novamente.

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