BOLSONARO
PROVOCA A GLOBO AO ELOGIAR O APOIO DE ROBERTO MARINHO À DITADURA MILITAR
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Tudo aconteceu
quando Roberto D’Ávila lembrou ao candidato de uma declaração em que ele
afirmava que não houve ditadura no Brasil. E fez a seguinte pergunta: "Como
podemos imaginar que o senhor, Presidente da República, não vai fazer atos
ditatoriais?" Nesse momento Bolsonaro foi direto: "Uma das
marcas da ditadura é ter uma imprensa única. A TV Globo nasceu em 1965. A
revista Veja nasceu em 1968."
E, em seguida disse: “Quero elogiar,
saudar a memória do senhor Roberto Marinho. Editorial de capa do jornal O
Globo, de 7 de outubro de 1984. Abre aspas para o senhor Roberto Marinho:
‘Participamos da revolução de 1964, identificada com os anseios nacionais de
preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização
ideológica, distúrbios sociais, greves e corrupção generalizada.’ Fecha aspas.”
Não satisfeito continuou e calou os nove
melhores jornalistas da emissora com a seguinte indagação: "O senhor
Roberto Marinho foi um democrata ou um ditador?" Todos os entrevistadores
ficaram calados e nada responderam, exceto, a Miriam Leitão que antes do fim do programa leu uma nota a respeito do
assunto: "O candidato Jair
Bolsonaro disse há pouco que o Roberto Marinho, em editorial de 1984, afirmou
que participava do que chamava de revolução de 64, identificado com os anseios
nacionais de preservação das instituições democráticas. É fato. Como todos os
grandes jornais da época, com exceção da Última Hora, O Globo apoiou
editorialmente o golpe, com o objetivo reiterado de Roberto Marinho 20 anos
depois.”
E, por fim, concluiu a leitura com muitas pausas e ar de constrangimento:
“O candidato Bolsonaro esqueceu-se, porém, de dizer que, em 30 de agosto de
2013, O Globo publicou um editorial em que reconheceu que o apoio ao golpe de
64 foi um erro. Nele, o jornal disse não ter dúvidas de que o apoio pareceu aos
que dirigiam o jornal na época e viveram aquele momento a atitude certa,
visando ao bem do país. E finaliza com essas palavras o editorial: ‘À luz da
história, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o
apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editorias no
período, que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor
absoluto. E corre risco. E ela só pode ser salva por si mesma’.
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