4 de agosto de 2018


BOLSONARO PROVOCA A GLOBO AO ELOGIAR O APOIO DE ROBERTO MARINHO À DITADURA MILITAR

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urante sabatina na GloboNews na noite de sexta feira (03) o presidenciável Jair Bolsonaro provocou a emissora, e, demais jornalistas, ao elogiar o apoio do patriarca do grupo Globo, Roberto Marinho, ao golpe de 1964.

Tudo aconteceu quando Roberto D’Ávila lembrou ao candidato de uma declaração em que ele afirmava que não houve ditadura no Brasil. E fez a seguinte pergunta: "Como podemos imaginar que o senhor, Presidente da República, não vai fazer atos ditatoriais?" Nesse momento Bolsonaro foi direto: "Uma das marcas da ditadura é ter uma imprensa única. A TV Globo nasceu em 1965. A revista Veja nasceu em 1968."

E, em seguida disse: “Quero elogiar, saudar a memória do senhor Roberto Marinho. Editorial de capa do jornal O Globo, de 7 de outubro de 1984. Abre aspas para o senhor Roberto Marinho: ‘Participamos da revolução de 1964, identificada com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, distúrbios sociais, greves e corrupção generalizada.’ Fecha aspas.”

Não satisfeito continuou e calou os nove melhores jornalistas da emissora com a seguinte indagação: "O senhor Roberto Marinho foi um democrata ou um ditador?" Todos os entrevistadores ficaram calados e nada responderam, exceto, a Miriam Leitão que antes do fim do programa leu uma nota a respeito do assunto: "O candidato Jair Bolsonaro disse há pouco que o Roberto Marinho, em editorial de 1984, afirmou que participava do que chamava de revolução de 64, identificado com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas. É fato. Como todos os grandes jornais da época, com exceção da Última Hora, O Globo apoiou editorialmente o golpe, com o objetivo reiterado de Roberto Marinho 20 anos depois.”

E, por fim, concluiu a leitura com muitas pausas e ar de constrangimento: “O candidato Bolsonaro esqueceu-se, porém, de dizer que, em 30 de agosto de 2013, O Globo publicou um editorial em que reconheceu que o apoio ao golpe de 64 foi um erro. Nele, o jornal disse não ter dúvidas de que o apoio pareceu aos que dirigiam o jornal na época e viveram aquele momento a atitude certa, visando ao bem do país. E finaliza com essas palavras o editorial: ‘À luz da história, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editorias no período, que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E corre risco. E ela só pode ser salva por si mesma’.

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