TOFFOLI AFIRMA QUE O RESULTADO DAS URNAS SERÁ
RESPEITADO
As Forças Armadas sabem da
grave responsabilidade das funções que têm e respeitam a democracia, a
Constituição e as leis
Em entrevista ao jornal
Folha de S. Paulo, o novo presidente do STF perpassou muito temas polêmicos que
estão na ordem do dia no país, uma vez que a crise institucional e política que
se alastrou neste período pós golpe e, agora, eleitoral, tomam conta do
imaginário social brasileiro. Toffoli mostra que não está
para brincadeiras e que será muito mais do que uma presidente decorativa.
Ele tem clareza a respeito da tripartição de poder prevista pela constituição e
pretende levá-la a o pé da letra.
Toffoli afirma que
o resultado das urnas será respeitado, inclusive por militares:
"o batismo da urna legitima os poderes. Aquele que for eleito em
uma democracia tem que ser respeitado por todas as forças políticas e por todos
os opositores. (...) Mas penso que os candidatos e todas as forças políticas e da
sociedade, depois deste período de intensa gravidade, estão conscientes de que
o respeito à democracia e ao eleito é fundamental para o Brasil voltar os olhos
para o desenvolvimento e para os graves problemas que temos de desigualdade
regional, social, de saúde e de educação. Todas as forças políticas, uma vez
terminada a eleição, devem respeitar o jogo democrático, apoiando ou fazendo
oposição [ao governo eleito]".
Ele frisa que as
Forças Armadas compreendem perfeitamente do que se trata a democracia e quais
os valores que estão em jogo neste momento: "as Forças Armadas sabem da
grave responsabilidade das funções que têm e respeitam a democracia, a
Constituição e as leis. Qualquer que seja o resultado, será respeitado".
Sobre a prisão em
segunda instância, Toffoli afirma: "nenhum voto é certo. Não sei nem se o
meu vai permanecer o mesmo [ele é contra a prisão em segunda instância e votou
a favor de Lula]. Uma coisa é você ser o juiz na bancada, outra é ser o
presidente do tribunal. Nesta condição, não pode partir das premissas pessoais,
mas da instituição". (...)"Como presidente, vou ter sempre um olhar institucional.
Vi aqui muitos presidentes que votaram contra aquilo que votariam na bancada,
para evitar um impasse no julgamento. Uma nação se faz com instituições
fortes. As pessoas passam, as instituições ficam. O presidente do STF tem que
preservar as questões institucionais acima de seus desejos ou vontades
pessoais".