29 de agosto de 2018

FLÁVIO TAVARES ETERNIZA A TRAGÉDIA DO GOLPE EM TELA DE TRÊS METROS

Artista plástico paraibano expõe "Brasil, O Golpe: A Ópera do fim do mundo”



Flávio Tavares, artista plástico paraibano, expôs no Sesc em João Pessoa (dia 27), um painel em óleo sobre tela, de três metros, contando a tragédia brasileira que culminou no Golpe e seus desdobramentos. Segundo o pintor "é uma carnavalização da linguagem gráfica, aonde eu pego todo o momento, o que eu senti pelo assassinato de Marielle, com essa figura bebendo água, greco-romana, no Rio Lete, o Rio do Esquecimento, e que tem o Hades, quer dizer o inferno grego da Divina Comédia, com Caronte no barco, e a luz ainda iluminando essa sessão de tortura da Dilma."
Ele ressalta que a tortura da ex-presidente, na sua juventude, foi esquecida, assim como a morte da vereadora Marielle Franco já está caindo no Rio do Esquecimento. Alguns outros seres que habitam as mitologias, a sereia, o pássaro vermelho sendo ameaçado pelo que parece um Leviatã, tantas vezes evocado por Castro Alves no poema Navio Negreiro, também compõem um relato onírico da obra.
O painel tem algumas cenas importantes que se isolam e dialogam entre si. Em formato piramidal, na sua base temos O Banquete dos Poderosos, com a presença de Temer e várias figuras do judiciário, em especial o juiz Sérgio Moro se banqueteando avidamente, enquanto várias pessoas, miseráveis, esperam migalhas embaixo da mesa. Em pé, uma mulher negra servindo uma senhora fidalga, representando a elite brasileira, branca e impiedosa. Flávio destaca que o tema do painel é a injustiça "e os tantos tropeços que o Brasil tem dado em nome de um processo que eles estão chamando de Democracia, mas a gente vê que há uma transição forte ainda a se vivenciar para a gente ver isso acontecer."
Acima, ao centro da pirâmide, representando o poder em cima do povo, vemos a ama de leite segurando uma criança loura, e ao lado, a fera que ainda habita o Brasil. "Esse preconceito de raça e classe, esse ódio que se tem do povo, e essa representação aqui, tão bonitinha para quem gosta de Monarquia, mas extremamente perversa no mundo inteiro", reflete o artista.
Logo atrás da ama de leite, nas sombras, como um sopro gelado da história, o pano de fundo da tragédia, vemos os traços de um pelourinho, uma pessoa amarrada a um poste. Flávio denuncia, no entanto, que isso aconteceu no Rio de Janeiro há pouco tempo. Destaque para o guardador de rebanhos ao lado esquerdo, que, serenamente, contempla a pomba da paz. "É a luta que estamos travando junto à ONU para soltar o Lula. Ao lado dele está o povo e os carneiros, é o guardador de rebanhos, O Peregrino."
Um personagem que pode passar despercebido, mas que, no meio das centenas de referências, do fabulário nordestino aos clássicos ocidentais, bem no meio de todo o delírio dantesco, percebemos a (oni)presença da Casa Grande. Casa colonial, na sobriedade e riqueza do passado dos homens brancos e donos das almas. Um passado tão remanescente, às vezes até mais sofisticado, porém, perpetuando a história das atrocidades.
O pintor Flávio Tavares tem mais de 50 anos de carreira, já expôs em vários estados brasileiros e diversos países pelo mundo. Na ocasião da vernissage do painel sobre o Golpe, houve o lançamento do livro 'A Linha do Sonho', do Sesc Paraíba com várias de suas obras. Cida Alves Brasil de Fato | João Pessoa (PB)

CIRO GOMES DIZ QUE DESEJA MANTER DISTÂNCIA DOS ELEITORES DE BOLSONARO

Ainda classificou o candidato do PSL como 'projetinho de Hitler tropical'


O
 candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, disse nesta quarta-feira, dia 29, que não quer os votos do candidato do PSL, Jair Bolsonaro nas eleições 2018, a quem classificou como "projetinho de Hitler tropical". Segundo Gomes, "uma fração dos brasileiros" tem uma pedra no lugar do coração, são egoístas e não se preocupam com os 13 milhões de desempregados". O pedetista afirmou ainda querer "distância dessa gente".

"Eu não quero buscar os votos de todo mundo, não", respondeu quando questionado sobre como faria para conquistar os votos de Bolsonaro nas Eleições 2018. "Eu quero buscar os votos dos brasileiros, homens e mulheres, decentes, equilibrados, serenos, que têm solidariedade com os mais pobres. O Brasil tem uma fração da população, que respeito porque é o meu povo e quero ser presidente de todos, mas há uma fração que vive com uma pedra no coração, são egoístas, pouco estão se lixando para os 13 milhões de desempregados, pouco estão se lixando para o problema dos 32 milhões que vivem correndo da repressão nas ruas para vender", disse.

"Bolsonaro não é ignorante; ele passou na Academia Militar das Agulhas Negras. Bolsonaro é mistificador, perigoso e fascista. (Ele) é um projetinho de Hitler tropical e muito mal preparado porque Hitler pelo menos era um intelectual razoável", complementou.
Ciro emendou citando como exemplo o polêmico episódio no qual Bolsonaro se desentendeu com a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). A discussão rendeu um processo contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). "(Esses brasileiros) estão pouco se lixando se 60 mil mulheres foram estupradas, fazem até piada, Dizem para um própria colega, como o Bolsonaro disse, que não a estupra porque ela é feia" lembrou. "Quantos desses estupros aconteceram porque o cara está escorado num candidato popular. Eu não quero agradar essa gente, quero distância, dela".                                                                                                                                                                                  Apesar das críticas, Gomes acusou Bolsonaro de manipular o sentimento do seu eleitorado, quando foi perguntado sobre o desempenho do candidato do PSL em entrevista do Jornal Nacional, da TV Globo. Em seguida, ele pediu "pelo amor de Deus" que os brasileiros "não brinquem com o futuro".

TEMER quer conceder aumento ao JUDICIÁRIO


AVALIA CORTAR R$ 1 BI DE INVESTIMENTO PARA agradar os JUÍZES



para conceder o reajuste de 16,38%, o emedebista Michel Temer pretende cortar mais R$ 1,1 bilhão de investimentos, deixando sua herança mais que maldita para o próximo governo. O aumento que o STF (Supremo Tribunal Federal) se auto concedeu eleva o teto do Judiciário de R$ 33,7 mil para mais de R$ 39 mil. Temer, isolado politicamente e sem agenda em função do final melancólico de mandato usurpado, quer mostrar algum 'serviço' e agradar o poder judiciário.

A matéria prossegue: "os cálculos iniciais apontam que, com isso, o investimento deve ficar abaixo de R$ 30 bilhões. No ano passado, o investimento foi de R$ 47,3 bilhões, segundo o Tesouro" e relembra: "o reajuste salarial foi uma decisão do Supremo, que negocia com o Executivo como enquadrá-lo à regra imposta pelo teto de gastos (que limita o crescimento das despesas públicas à inflação)."